O monitor de entrada da linha gamer da LG entrega IPS, 99% de sRGB e compatibilidade com G-Sync e FreeSync. Analisamos onde os números têm asterisco e para quem a conta fecha.
Por Peter Goldstein · Fundador e Editor do RadarCompra · Publicado em 08/09/2026

A LG separa seus monitores gamer na linha UltraGear, e o 24G411A é o degrau de entrada dela. A proposta é direta: 24 polegadas, painel IPS, Full HD e taxa de atualização alta por um preço que cabe em quem está saindo de um monitor comum de 60 Hz. A pergunta é o que foi cortado para chegar nesse preço — e a resposta, aqui, é honesta.
| Item | Especificação |
|---|---|
| Tela | 24 polegadas, IPS |
| Resolução | Full HD 1920 x 1080 |
| Taxa de atualização | 120 Hz nativos, 144 Hz em overclock |
| Tempo de resposta | 1 ms (MBR) |
| Sincronização | Compatível com NVIDIA G-Sync e AMD FreeSync |
| Cor | 99% sRGB (típico) |
| HDR | VESA DisplayHDR 10 |
| Proporção | 16:9 |
O painel é de 120 Hz nativos. Os 144 Hz aparecem em overclock, ativado no menu do monitor. Isso soa pior do que é: overclock de taxa de atualização em monitor é um recurso de fábrica, testado e coberto pela garantia, não uma gambiarra. A diferença perceptível entre 120 e 144 Hz é pequena; a diferença entre 60 e 120 Hz é enorme. Quem está vindo de 60 Hz vai sentir o salto inteiro já na configuração padrão.
O número que merece mais atenção é o outro. A LG declara 1 ms em MBR, que significa Motion Blur Reduction — uma técnica de inserção de quadro preto que reduz o borrão de movimento. Não é o tempo de resposta cinza-a-cinza do painel, que é a medida usada pela maioria dos fabricantes. São coisas diferentes, e comparar o 1 ms MBR deste monitor com o 1 ms GtG de outro leva à conclusão errada. Além disso, MBR normalmente reduz o brilho da tela quando ativado, e costuma ser incompatível com sincronização adaptativa: você usa um ou outro.
Este é o recurso que mais muda o uso real. O monitor é compatível com as duas tecnologias de sincronização adaptativa, o que significa que a taxa de atualização da tela acompanha a taxa de quadros da placa de vídeo, eliminando o rasgo horizontal de imagem.
Na prática: você não precisa escolher o monitor pela marca da sua placa. Se trocar de NVIDIA para AMD daqui a três anos, o monitor continua funcionando igual. Nessa faixa de preço, muitos concorrentes trazem só FreeSync.
Painel IPS entrega ângulo de visão largo e cor mais fiel que o TN, que ainda aparece em monitores gamer baratos. A cobertura declarada de 99% do espaço sRGB é o que se espera de um monitor de trabalho com cor, não de um gamer de entrada.
Isso amplia o uso: dá para editar foto para web, mexer em material gráfico simples e assistir vídeo sem aquele aspecto lavado. Não substitui monitor profissional — sRGB é o espaço de cor básico, e não há menção a cobertura de DCI-P3 ou Adobe RGB —, mas para o preço é mais do que o necessário.
O HDR merece cautela na direção oposta. DisplayHDR 10 é o nível mais baixo da certificação VESA. Ele garante que o monitor aceita um sinal HDR10, não que ele consiga exibi-lo com o brilho e o contraste que fazem HDR valer a pena. Trate como compatibilidade, não como recurso.
A resolução é o limite real do produto, e ele aparece fora do jogo. Em 24 polegadas, Full HD dá uma densidade de pixels confortável — texto legível, sem necessidade de escala do Windows. O problema não é nitidez, é área.
Full HD entrega pouco espaço para trabalhar com duas janelas lado a lado. Planilha larga, código com terminal aberto, documento ao lado de referência: em todos esses casos, você vai rolar mais do que gostaria. Quem passa oito horas em texto e depois joga duas deveria olhar um 27 polegadas em QHD, que custa mais e resolve o dia inteiro.
Para o caminho inverso — quem joga bastante e usa o computador para o resto sem exigência —, a resolução não atrapalha, e o Full HD ainda tem a vantagem de exigir bem menos da placa de vídeo para sustentar taxas altas. Manter 120 quadros por segundo em Full HD é muito mais barato do que em QHD.
Vale para quem está em um monitor de 60 Hz, joga em Full HD e tem uma placa de vídeo de entrada ou intermediária. É o cenário em que cada real gasto aqui vira melhora percebida: a fluidez sobe, o rasgo some, a cor melhora e a placa não precisa ser trocada junto.
Não vale para quem já tem um monitor de 120 Hz ou mais — o ganho seria marginal. Também não vale para quem trabalha o dia inteiro com texto e planilha: nesse caso o dinheiro rende mais em resolução do que em taxa de atualização.
Preciso ativar alguma coisa para ter os 144 Hz? Sim. Os 144 Hz são obtidos por overclock, que precisa ser ativado no menu do monitor e depois selecionado nas configurações de vídeo do sistema. Na configuração de fábrica, ele opera a 120 Hz.
O 1 ms significa que é tão rápido quanto um monitor gamer topo de linha? Não. É 1 ms em MBR, uma técnica de redução de borrão, e não o tempo de resposta do painel medido de cinza a cinza. São métricas diferentes e não devem ser comparadas diretamente.
Funciona com placa AMD e NVIDIA? Com as duas. Ele é compatível tanto com NVIDIA G-Sync quanto com AMD FreeSync, então a sincronização adaptativa funciona independentemente da marca da sua placa de vídeo.
O HDR faz diferença? Pouca. DisplayHDR 10 é o degrau mais básico da certificação e indica compatibilidade com o sinal HDR10, não capacidade de brilho e contraste alta. Considere um extra, não um motivo de compra.
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